Como tudo começou!

Foto da vovó Bere em 1950 com 17 anos de idade.

A Maria Berenice estreou em janeiro de 2006 depois de uma inspiração em transformar o velho ônibus que transportava meu grupo de teatro de rua em uma loja itinerante!

Digo “estreou” porque desde esse ano ela foi a peça mambembe que eu criei o cenário, fiz o figurino. interpretei a personagem e eu mesma me dirigia!!

Bom, é claro que a Maria Berenice essa “loja surtida pramode ficá bunita”, não é uma peça de teatro. Mas sei que se não fosse minha vivência teatral e toda a minha história com o teatro de rua eu não a teria inventado.

Foi no teatro que aprendi a costurar, pintar, martelar, serrar, criar, inventar, dar salto mortal e principalmente enfrentar o medo do ridículo.

Quando saí pela primeira vez dirigindo a Maria Berenice, atravessei a Avenida Paulista. Morrendo de medo! Sem saber o que iria acontecer, o que as pessoas iriam pensar, se o “público” ia aplaudir ou vaiar, insegura pela total falta do ensaio.

Mas nunca vou esquecer a emoção que senti vendo a reação das pessoas que transitavam naquele momento. Era motoboy mandando beijo, meninas dentro do carro pedindo para eu parar e passar o cartão de contato, pessoas paradas no meio da faixa de pedestre sem reação, sem saber se continuavam ou voltavam querendo entender o que era aquilo, gente no ponto de ônibus apontando e sorrindo umas para as outras.

Foi nesse momento que percebi que apesar de não estar fazendo teatro a Maria Berenice era especial, pois não era uma loja comum. era uma inspiração! Ela mexia com a imaginação das pessoas, causava reações e intrigava. Talvez pela beleza, pela coragem…não sabia. Mas tive certeza naquele momento que estava no caminho certo.

Na Maria Berenice tem verdade, tem coragem, tem criatividade, tem beleza e tem muito suor.

Por isso eu dedico esse trabalho à minha avó materna Maria Berenice por ser a minha inspiração, à minha mãe, tão amada, tão cúmplice nos meus projetos, ao sonho do meu pai, de um dia ter tido um negócio próprio (Sei que onde quer que esteja está orgulhoso de mim!) e ao meu mestre Ary Pararraios que me ensinou o ofício do ator e que para correr atrás dos nossos sonhos temos que “pegar na enxada”!!

Adriana Bruno
SP/ jun/ 2007